domingo, 1 de junho de 2008

Darwinismo em São Paulo


São Paulo não é uma cidade futurista. É atemporal.

No sentido que em São Paulo você não encontra uma predominância da modernidade. Ela está presente tanto quanto elementos "medievais".


Do lado daquele metrô lá, que você pega com a carteirinha de integração, tem a feira.

O metrô: transporte "do futuro", tem muito na Europa, ignora a contrução das ruas e o estilo do terreno pra te levar em uma linha reta. É pago com seu dinheiro virtual, já que você não precisa mais das notas. Basta o crédito. Acho que das 5 à meia-noite.

A feira: tá na raiz da nossa cultura desde lá na Europa. Sem entrada USB e códigos de barras. Dinheiro, só o vivo. Foi por causa das feiras que ele foi criado, me atrevo a dizer. Das 3 às 3 da tarde.


Ali naquela avenida passam os últimos modelos de carro, e as últimas carroças. E naquele poste que vai ser tirado logo que aterrarem os fios tem aquele embaraçado, dos fios de uma pipa. Pipa, de antes de ter fio de eletricidade.


É o Darwinismo, sobrevive o que está adaptado na cultura. Nosso mundo de tendências e hábitos trocados entre milhões de pessoas seleciona o que conta uma história, contradizendo literaturas futuristas. Tem coisa moderna que aparece e desaparece em uma estação. Tem coisa que a gente toma um susto quando percebe que ainda não desapareceu, e que a gente ainda acha legal.


E tem coisa que aparece, parece que não vai vingar e só depois ganha o espaço merecido.

Sim, os graffites. Coisa do começo dos 80 em São Paulo, se não me engano, de 7 anos pra cá se tornou a maior expressão artística da cidade. Aliás, já somos a cidade mais graffitada do mundo. Não tem pra que não. Já que tiraram a árvore e ergueram uma parece, pelo menos vamos botar uma cor. Não é capricho não. Quem aqui não pinta as paredes de casa (de uma cor que não o branco)? Quero que pintem a cidade sim, ela também é minha. Que nem fazíamos com os cadernos: encapar com imagens bem locas aquela capa careta que veio da fábrica.


Pintar as paredes é pré-histórico ou futurista? É pintura rupestre com mais tecnologia ou é o mais puro urbanismo avant-gard?

É atual, e enquanto vivemos esse presente, é atemporal. Como o metrô e a feira.

2 comentários:

stephanie disse...

você tá inspirado a la antonio prata. adorei!
beijo cheio de saudade

Virgínia disse...

Adoro esses graffitis em bueiros, postes e outros elementos estáticos da rua. Impossível passar por um deles e não sorrir.
Caramba, pintamos paredes desde a "Pré-História"! Separados por milhares de anos, métodos, cores, formas e ainda nos expressamos da mesma forma. :)