quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pequeno vazio

Eu odeio quando meus gatos somem.
Odeio quando eles se trancam em um forro, em um teto. Quando se exilam no topo de uma árvore.

Hoje aconteceu.
O cão a agarra. Ela escapa. Agarra de novo. Escapa mais uma vez (se eles desistissem algum dia de escapar, tinham sido extintos na Idade Média).
E corre. E pula um muro. E outro. E se esconde em um forro.

Responde com seu miado, mas não aparece.

Uma chuva se aproxima na tarde de hoje.
Uma escada me espera, junto com meu desajeito com alturas.

Hoje à noite eu saio daqui e vou direto para Pinheiros.
Vou tentar, pela milésima vez (quisera eu que o número fosse redondo assim, indicava fechamento de ciclo ou, ao menos, poesia) salvar um gato.

Pode ser que Deus, como já fez muitas vezes, a salve antes.
Pode ser que Ele, como em muitas outras, me use de instrumento para salvá-la.
Eu não aceito nenhuma outra possibilidade.
Nem com a tempestade contra mim.

3 comentários:

Vitor disse...

Cuidado com os relâmpagos meu querido.

cansong disse...

Salvou? Salvou-se?

André Lasak disse...

Gostei do termo "desajeito com alturas".

Texto com boa levada. Ritmo. Parabéns.

ABRAÇÃO!