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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Some never awaken - Anaïs Nin

Alguns textos são bons demais para eu não colocar inteiros.


Some never awaken.

“You live like this, sheltered, in a delicate world, and you believe you are living. Then you read a book… or you take a trip… and you discover that you are not living, that you are hibernating. The symptoms of hibernating are easily detectable: first, restlessness. The second symptom (when hibernating becomes dangerous and might degenerate into death): absence of pleasure. That is all. It appears like an innocuous illness. Monotony, boredom, death. Millions live like this (or die like this) without knowing it. They work in offices. They drive a car. They picnic with their families. They raise children. And then some shock treatment takes place: a person, a book, a song, and it awakens them and saves them from death. Some never awaken.”

-Anaïs Nin

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O sonho de mil gatos - parte 1: uma despedida


Tive de novo um sonho com gatos.
Eu já tive mais de 100 gatos na vida. De uma vez só, 32.

Sim, sei o nome de quase todos. Se visse qualquer um deles na minha frente agora, te diria o nome sem pensar duas vezes.

Eu fui criado com os gatos e isso, definitivamente, determinou o jeito como lido com as pessoas. Até o modo como faço carinho nas pessoas é como faço carinho em gatos.

O meu humor, as minhas patadas, a vontade de me isolar às vezes, o grude em outras.

E teve um que era muito do bem. Eu amava de verdade, percebo mais claramente hoje. O Ferdinando.
A mãe dele teve os filhotes (sempre 5 por vez, é algum tipo de metáfora dos gatos: sempre nascem 5) no quintal do vizinho e resolveu trazer pra casa. Pegava com a boca no cangotinho de cada um e vinha trazendo.

1, 2, 3, 4. Nisso o tempo fechou daquele jeito que acontece nas chuvas mais fortes.

Começou uma tempestade. Bíblica. Ela acaba que deixa um no meio do caminho. A gente percebeu, correu lá no quintal.

Tá lá o gato, com o nariz da cor do pêlo (branco).
Gelado. De verdade, gelado, mais que qualquer morto.

Pega o gato. Põe pano com água quente em volta. Tudo com aquele Pai Nosso silencioso que sempre embala a mente nessas situações. Esquenta, esquenta e, de repente, o que eu esperava: volta à vida.
"Esse aqui, que voltou da morte, vai chamar Ferdinando".

O Ferdi não miava. É engraçado, Deus gosta dessas figuras de linguagem. O Ferdi não miava, não ficaa bravo, nem muito contente. O gato voltou à vida, mas o coração sempre permaneceu com aquele gelado.

Ele cresceu, sossegado como só ele. Ao contrário dos outros machos, não ficava dias fora e voltava alquebrado como se vindo de um samba sem fim. O Ferdi gostava de estar lá em casa, não fazia questão dessas emoções.


Todo gato um dia se vai. Para a vida ou para algo depois disso.
E um dia o Ferdi foi. Não vi mais, mas eu sabia que não ía mais voltar.

E hoje sonhei com ele. O encontrei e a cara dele era aquela que nunca saiu da minha memória.
Só que... eu não sabia o nome dele. Olhei, conversei como quem encontra algum rosto conhecido e não liga o nome.

Acordei hoje, fiz mil coisas. De repente tô aqui no serviço, ligo o iTunes. Algo no fundo da cabeça me fala "Cartola".
Vou ouvindo e começa essa música.
E minha boca fala na hora a palavra que me faltava durante todo o dia: Ferdinando.

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Sorrir pra não chorar
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Sorrir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir os pássaros cantar,
Eu quero nascer, quero viver

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Sorrir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar

http://www.youtube.com/watch?v=WQZF0vjjNhc

Esta é a música que me vinha na cabeça quando imaginava o dia em que ele foi embora. E não só dele, essa é a música que para mim representa a despedida de todo gato.

Porque todo gato um dia se vai.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sonhos e devaneios


Eu sempre tive um negócio de sonhar e saber que era um sonho. Me aconteceu diversas vezes.

Só pra avisar antes, este post vai ter a métrica de um sonho, como muitas indas, vindas, informações desconexas e eu como o centro de tudo (sim, porque são os meus sonhos).

Não lembro quando foi a primeira vez, mas acho que começou a ocorrer depois de uma fase traumática que tive com sonhos. Eu acho que tinha coisa de 6, 7 anos. E tinha pesadelos toda santa noite. Sem brincadeira, todas as noites, em sequência. É, a porra do teclado não tem trema. Mas trema é uma coisa meio onírica mesmo, não tem nada a ver com a nossa realidade. E com esses pesadelos todas as noites, adivinha? Eu desenvolvi "medo da noite". Sim, porque quando se aproximava a noite eu sabia que logo chegaria a hora de eu dormir. E de entrar de novo nos pesadelos. Era começar a novela das sete preu começar a gelar.

Daí, uma bela noite (bela pra carai, acordei suando desesperado) eu tentei dar um jeito do jeito que eu sabia.

Quem me conhece sabe que sou católico. Dos clássicos: aqueles que se entregam a todos os prazeres da carne, vêem o corpo como um templo (a ser altamente profanado), adora o sexo antes do casamento e ao mesmo tempo crê na salvação pelas obras, na existência dos santos. Santos é o meu sobrenome que escondo atrás do Wolvie. Aliás, esse é o perfil de grande parte dos Santos. Eles não era carolas tementes a Deus e moralistas. Eles eram bem pessoas da Vila Madalena. Você sabia da história do Santo que, cristão condenado ao coliseu, ofereceu a outra face ao gladiador e, tendo tomado outra porrada, disse "Jesus pediu preu oferecer duas e ponto", daí caceteou o gladiador até nocautear o cara? Os santos eram assim. Os católicos clássicos são assim. Eu sou um católico clássico.

Como católico clássico (com 6, 7 anos, antes de sexodrogas&rockandroll), minha solução foi: comecei a rezar. Católico "reza". Quem "ora" é protestante. Eu comecei a rezar até onde dava. Rezei, rezei e rezei. Rezei até cair no sono. E, depois de muito tempo, tive sonhos. Eu consegui expurgar os pesadelos. Essa é uma das bases do Cristianismo, a fé vence qualquer mal. Eu venci, e naquela noite sonhei, leve como uma criança que saiu dum campo de concentração.

Acho que foi depois disso que eu percebi que podia saber que estava sonhando. Aconteceu várias vezes, e sempre funcionava quando pintava qualquer pesadelo. Mas aconteceu em outros tipos de sonho também. Eu sabia que estava dormindo.

Recebi um e-mail do Davi sobre isso hoje. Lucid Dreaming. Matéria que saiu na Trip. Tinha mais na matéria, falava também sobre LSD. Esse é um assunto de tal importância que acho que não entrará neste post. Acho, nunca sei como eles vão terminar.

Os meus sonhos têm tido uma importância maior nas últimas semanas. Tenho sonhado coisas legais, que fazem diferença na minha vida no dia seguinte. Jogo joguinhos de carta, tipo magic, e ultimamente tenho a iluminação dos baralhos no sonho e depois monto na vida real. E eles funcionam melhor, acredita?

Daí hoje sonhei com minha primeira agência de verdade. Talvez a melhor de todas, pelo fato de que todos, sem excessão, eram amigos e bebiam juntos. Eu sonhei que estava na SitCom com meu mestre da propaganda, o Lesoba. Esse cara é genial daquele jeito que... sabe quando voc~e conhece alguém que é realmente foda mas sempre que tenta explicar pros outros não consegue transmitir o quanto? É ele.

Sonhei que eu tava na SitCom, que era a agência dele e também uma agência dos sonhos, e ele me falava "Wolvie, preciso de uma assistente de atendimento pra começar aqui, conhece alguma?". Acordei de bom humor, mesmo tendo dormido às 3h e acordado às 8h30 por causa de uma concorrência. Mandei uma mensagem pro Lesoba. Achei profético, fazia um tempão que a gente não se falava. Nos encontramos outro dia numa balada, mas balada é um milhão de pessoas, e eu já tava na minha terceira cachaça. Foi ótimo, ele me falou que sentia fala de redatores como eu, eu disse que o mercado sentia falta de "gênios loucos" como ele. Contei meu sonho na mensagem SMS. Ele respondeu que também sonhava, cada vez mais, com a SitCom. Deu pra sacar que não era o sonhar de dormir, mas o de almejar aquilo de volta.


Hoje eu fui lendo no Twitter os posts do BlueBus. Teve uma pegada legal, eles estão fazendo uma bela cobertura de Cannes este ano. Eu tô cagando pra Cannes. Todo ano é aquela mesma lenga-lenga de publicitários. Eu acho uma cretinisse porque sempre acreditei no que falavam, mas na hora H os fodões das agências mandam você fazer tudo do mesmo jeito que tudo sempre foi feito. Então sei que são otários.

Mas tem gente muito foda no meio. Gente jovem, com idéias fodas e a mente muito cheia de oxigênio. Gente que sabe desse glaglaglá e que vai enterrar um dia esses caras consolidados e encalacrados em sua modernidade de butique. Eu tô falando do Tomás Gonzaga. Ele tá aqui do lado nos meus links, sob a alcunha de Pai Tomás. Visita a cabana dele que é muito melhor que esse meu blogzinho.

Eu li uma matéria legal sobre Cannes. A única que passei do título - ainda bem: http://tinyurl.com/3h6ty4 . Matéria boa. Li e na hora lembrei do Tomás. Óbvio, puta motivo pra puxar um papo com o cara.

E não é que esse lance de sonho sempre volta no meio do nosso dia? Quer ver? No meio da conversa, do nada, comparando minha agência atual e a em que ele está (que é minha anterior) eu solto essa para ele:

"
Mas vou te contar uma: o modelo ideal não é nem o daí nem o daqui: é o da SitCom, minha primeira agência de verdade. Tinha 15 pessoas no total, sendo 4 chefes. Mas lá o conceito comia solto. Não tinha prisão de formato, autoridade de cargo, porra nenhuma. O Lesoba - que era o cérebro da agência e foi meu mentor mór - apostava só em idéias. Quanto mais geniais, melhores. Formato, duração, verba, ele pensava nisso (bem) depois. Era por isso que, mesmo pequeninha, a gente ganhava várias concorrências contra médias e, às vezes, contra uma ou outra grande. Você, delegado, ainda vai trampar com ele um dia. Do mesmo jeito que tua visão aberta te colocou aí, um dia junta você com esse cara em algum projeto. E hoje, um Berlim?"

O texto foi longo, espero que confuso. Mas é isso.

Não vou explicar a piada desta vez.
Como nos sonhos, você conclui.

(uma dica: tem a ver com o sonho e o real, o que na primeira vez aprendi graças a meu catolicismo.)